Antes da base, a pergunta
Buscar bem começa antes de abrir qualquer site. Uma dúvida escrita como frase ("exercício ajuda na depressão?") devolve milhares de resultados desorganizados, porque não diz em quem, comparado com o quê, nem medindo o quê.
Transformar a dúvida em pergunta PICO resolve isso, e de quebra já entrega os termos da busca: cada componente vira um bloco de palavras.
As bases que valem a pena, e o que cada uma cobre
| Base | Cobertura | Quando usar |
|---|---|---|
| PubMed / MEDLINE | Mais de 38 milhões de registros em biomedicina e ciências da saúde. Gratuita, mantida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. | Ponto de partida para quase toda pergunta clínica. É onde está a maior parte dos ensaios e das revisões sistemáticas. |
| SciELO | Periódicos da América Latina, Caribe, Espanha, Portugal e África do Sul. Texto completo aberto. | Quando o contexto brasileiro importa: realidade do SUS, prevalência local, instrumentos traduzidos e validados para o português. |
| LILACS / BVS | Literatura científica em saúde da América Latina, incluindo teses e material que não entra nas bases internacionais. | Revisão que precisa cobrir a produção regional, e busca por temas de saúde coletiva. |
| Google Acadêmico | Amplo e pouco seletivo. Indexa artigos, teses, capítulos, preprints e material sem revisão por pares. | Primeiro reconhecimento do tema e para achar o PDF de um artigo que você já conhece. Não serve como base única de uma revisão: não dá para reproduzir a busca. |
| Semantic Scholar | Mais de 200 milhões de trabalhos de todas as áreas, com mapa de citações entre eles. | Descobrir quem citou um artigo e seguir a conversa da literatura para frente e para trás. |
| PEDro | Ensaios, revisões e diretrizes em fisioterapia, com a nota PEDro já calculada. | Pergunta de fisioterapia em que você quer o ensaio já pontuado pela qualidade metodológica. |
| Cochrane Library | Revisões sistemáticas Cochrane, referência em rigor de método. | Checar se já existe revisão sistemática sobre a sua pergunta antes de sair lendo ensaio por ensaio. |
| Embase, Scopus, Web of Science | Bases pagas, com cobertura extra em farmacologia e em periódicos europeus. | Revisão sistemática formal, quando a instituição dá acesso. Fora disso, não são acessíveis. |
Como montar a busca no PubMed
O erro mais comum é digitar a pergunta inteira em português. O PubMed indexa em inglês e trabalha com blocos, não com frases.
- Separe os conceitos. Da sua pergunta PICO, normalmente bastam dois blocos: população e intervenção. Desfecho costuma estreitar demais.
- Junte os sinônimos com OR.
(low back pain OR lumbar pain OR lumbago). Termo ausente é resultado perdido. - Junte os blocos com AND.
(low back pain OR lumbago) AND (pilates OR core stability). - Use o MeSH quando o tema tiver nome oficial. São os descritores padronizados do PubMed, e alcançam artigos que escreveram o termo de outro jeito. O equivalente em português é o DeCS, na BVS.
- Filtre só no fim. Desenho do estudo, ano e idioma depois de ver o tamanho do que existe. Filtrar cedo esconde o tamanho real do problema.
Aspas servem para expressão exata ("anterior cruciate ligament") e o asterisco para variações (rehabilitat* pega rehabilitation, rehabilitative e rehabilitated).
Quatro erros que fazem você achar que "não existe nada"
- Buscar em português numa base internacional. A literatura clínica é publicada em inglês. Busque em inglês no PubMed e em português no SciELO e na BVS.
- Usar só uma combinação de palavras. Se a primeira busca devolve 4 resultados, o problema quase sempre é o vocabulário, não a literatura.
- Filtrar por "últimos 5 anos" por reflexo. O ensaio que definiu a conduta pode ser de 2011. Recorte de data é decisão, não padrão.
- Parar no primeiro artigo que concorda com você. É o viés de confirmação em forma de busca. Olhe também o que contraria.
Vale lembrar do sentido contrário: achar 300 resultados não quer dizer que existem 300 respostas. A maior parte não responde à sua pergunta, e o desenho de cada estudo decide o quanto ele pesa.
Depois de achar, ainda falta a parte difícil
Encontrar o artigo é a metade fácil do trabalho. A outra metade é decidir se dá para confiar nele, e é aí que a maioria trava: o resumo diz que funcionou, mas o que sustenta essa conclusão está nos métodos.
No SciCritic, o SELECIONE monta a busca a partir da sua dúvida, em conversa ou por framework (PICO, PECO, PFO, PIRD), e roda em PubMed/MEDLINE e Semantic Scholar. Revisões Cochrane aparecem porque estão indexadas no PubMed/MEDLINE. Cada resultado vem com o desenho identificado e a aderência ao tema, e o passo seguinte, o CRITIQUE, aplica o instrumento validado ao PDF inteiro.
Da dúvida à busca, sem decorar operador booleano
Descreva sua dúvida em português. O SciCritic monta a pergunta estruturada, roda a busca e mostra o desenho de cada resultado.
Testar 7 dias grátis Hoje você paga R$ 0.Perguntas frequentes
Qual a melhor base para buscar artigo científico?
Para pergunta clínica, PubMed é o melhor ponto de partida, por cobertura e por ser gratuita. Se o contexto brasileiro importa, some SciELO e BVS. Se for fisioterapia, a PEDro entrega o ensaio já pontuado. Google Acadêmico serve para reconhecer o tema, não como base única de uma revisão.
Preciso saber inglês para buscar no PubMed?
Para montar a busca, você precisa dos termos em inglês, e são poucas palavras por pergunta: o DeCS, na BVS, traduz cada descritor. Para ler o artigo, tradutor e IA resolvem bem o idioma. O que nenhum dos dois resolve é avaliar o método, que é um problema de leitura crítica, não de idioma.
Quantos artigos preciso ler para responder uma pergunta?
Se existe revisão sistemática recente e bem feita sobre a sua pergunta, ela já fez esse trabalho e um artigo pode bastar. Sem revisão, o caminho é reunir os ensaios do tema e olhar a consistência entre eles. Quantidade não substitui qualidade: cinco estudos frágeis apontando para o mesmo lado continuam sendo evidência fraca.
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- Nível de evidência: o que é e como usar sem cair na pirâmideO que é nível de evidência, a pirâmide e os níveis de Oxford, por que um ensaio ruim pode valer menos que uma coorte boa, e o que o GRADE mudou.
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Fontes
- National Library of Medicine. PubMed User Guide. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/help/
- SciELO Brasil. https://www.scielo.br/
- Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e DeCS. https://decs.bvsalud.org/
- PEDro: Physiotherapy Evidence Database. https://pedro.org.au/portuguese/
