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Escala PEDro: os 11 itens, como pontuar e o que a nota não diz

A escala PEDro é a régua que a fisioterapia usa para ensaios clínicos há mais de vinte anos. Dá uma nota de 0 a 10 em poucos minutos. Este guia explica cada item, o que a nota significa e onde ela para de significar.

Atualizado em 10 de setembro de 2026 · Equipe SciCritic

Ilustração abstrata de abertura: Escala PEDro: os 11 itens, como pontuar e o que a nota não diz

O que é a PEDro

PEDro é a Physiotherapy Evidence Database, mantida pelo Institute for Musculoskeletal Health da Universidade de Sydney. É uma base gratuita de ensaios clínicos, revisões sistemáticas e diretrizes de fisioterapia, com interface em português, e cada ensaio indexado nela recebe uma nota pela escala PEDro, atribuída por avaliadores treinados.

A escala foi derivada da lista de Delphi de Verhagen (1998) e mede a qualidade metodológica de um ensaio: quanto ele protege contra viés e quanto o relato permite interpretar o resultado. Não mede se o tratamento funciona nem se o efeito é clinicamente importante.

Os 11 itens

Cada item recebe "sim" ou "não". O item 1 não entra na nota: ele diz respeito à validade externa (a quem o resultado se aplica), e a escala soma só os dez itens de validade interna e de relato estatístico. Por isso a nota vai de 0 a 10.

ItemCritérioProtege contra
1Os critérios de elegibilidade foram especificados (não pontua)Aplicabilidade indefinida
2Os participantes foram alocados aleatoriamente aos gruposViés de seleção
3A alocação foi sigilosa (quem incluía não sabia o próximo grupo)Viés de seleção
4Os grupos eram semelhantes no início quanto aos indicadores de prognóstico mais importantesDesequilíbrio basal
5Todos os participantes foram cegosViés de desempenho
6Todos os terapeutas que aplicaram a terapia foram cegosViés de desempenho
7Todos os avaliadores de ao menos um desfecho-chave foram cegosViés de detecção
8Medidas de ao menos um desfecho-chave foram obtidas em mais de 85% dos participantes alocadosViés de atrito
9Todos os participantes receberam o tratamento ou controle conforme alocados ou, se não, os dados de ao menos um desfecho-chave foram analisados por intenção de tratarViés de atrito
10Os resultados das comparações estatísticas entre grupos foram relatados para ao menos um desfecho-chaveRelato incompleto
11O estudo apresenta medidas de precisão e de variabilidade para ao menos um desfecho-chaveRelato incompleto

Um detalhe que muda a nota: o critério só é satisfeito quando o artigo diz explicitamente que fez. "Os pacientes foram divididos em dois grupos" não pontua no item 2; "foram randomizados por sequência gerada em computador" pontua. Quando o artigo não diz, a resposta é "não".

Item 1 (elegibilidade) fica fora da soma. Os dez abaixo valem 1 ponto cada.2aleatória3sigilosa4semelhantes5pacientecego6terapeutacego7avaliadorcego8>85%seguidos9intençãodetratar10comparação11precisãoItens 5 e 6 são quase impossíveis em exercício e terapia manual.Um ensaio impecável de fisioterapia costuma parar em 8 de 10.
A nota da PEDro é a soma dos itens 2 a 11. Olhar qual faltou vale mais do que olhar a soma.

O que é uma nota boa

A PEDro não define oficialmente uma linha de corte, mas revisões sistemáticas em fisioterapia costumam usar faixas parecidas:

Uma ressalva que muda a leitura na fisioterapia: os itens 5 e 6 (cegar paciente e terapeuta) são quase impossíveis em intervenções de exercício, terapia manual ou educação. Um ensaio impecável de exercício para dor lombar tende a parar em 8. Ou seja, 8 pode ser a nota máxima realista para boa parte do que a área estuda, e um 6 pode significar "perdeu os dois itens de cegamento e mais dois" ou "perdeu os dois de cegamento e nada mais". Olhar qual item faltou vale mais que olhar a soma.

O que a nota não diz

PEDro e RoB 2: a correspondência

O RoB 2, da Cochrane, é o instrumento de referência para ensaios randomizados em qualquer área. Os dois cobrem terreno parecido, com lógicas diferentes: a PEDro soma itens; o RoB 2 julga domínios e o pior domínio define o global.

Domínio do RoB 2Itens da PEDro que se aproximam
Processo de randomização2, 3, 4
Desvios das intervenções pretendidas5, 6, 9
Dados de desfecho faltantes8
Medição do desfecho7
Seleção do resultado relatadosem correspondente (10 e 11 tratam do relato estatístico, não da seleção)

A confiabilidade da PEDro entre avaliadores foi medida por Maher e colaboradores em 2003 e considerada aceitável para uso em revisões sistemáticas; a nota consensual de dois avaliadores é mais confiável que a de um.

Como usar a PEDro no dia a dia

  1. Procure o ensaio na base PEDro: se estiver lá, a nota já foi dada por avaliadores treinados, e você vê quais itens faltaram.
  2. Se não estiver, aplique os 11 itens ao artigo, respondendo "não" sempre que o texto não disser explicitamente.
  3. Olhe os itens que faltaram antes de olhar a soma. Sem sigilo de alocação (3) e sem avaliador cego (7) é mais grave que sem cegamento do terapeuta (6).
  4. Depois da nota, leia o resultado: efeito, intervalo, desfecho primário. A PEDro é o começo da avaliação, não o fim.

Como o SciCritic se relaciona com a PEDro

O SciCritic não substitui a base PEDro; ela continua sendo o lugar para achar a nota oficial de um ensaio de fisioterapia. Ao receber o PDF de um ensaio randomizado, o CRITIQUE aplica o RoB 2, o instrumento da Cochrane, domínio por domínio, com o trecho do artigo ao lado de cada julgamento, e devolve a certeza da evidência em GRADE. Se você conhece a PEDro, a tabela de correspondência acima mostra onde cada item entra.

Avalie um ensaio de fisioterapia com o trecho citado

Envie o PDF. O SciCritic aplica o RoB 2 domínio por domínio, mostra a frase do artigo que sustenta cada julgamento e devolve a certeza da evidência em GRADE.

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Perguntas frequentes

Por que o item 1 da escala PEDro não conta na nota?

Porque ele mede validade externa (se o artigo diz a quem o resultado se aplica), e a escala foi desenhada para somar só itens de validade interna e de relato estatístico. Ele fica na lista para lembrar o leitor de conferir, mas a nota vai de 0 a 10 com os itens 2 a 11.

Qual nota da PEDro é considerada alta qualidade?

Não há corte oficial. A maioria das revisões sistemáticas em fisioterapia usa 6 ou mais como "alta qualidade", com 9 a 10 como excelente. Em intervenções em que não dá para cegar paciente e terapeuta, 8 costuma ser o teto realista.

A PEDro serve para revisões sistemáticas?

Não. A escala é só para ensaios clínicos controlados. Revisões sistemáticas se avaliam com a AMSTAR 2, e diretrizes com o AGREE II. A base PEDro indexa revisões e diretrizes, mas não as pontua pela escala.

Leia também

Fontes

  1. PEDro, Physiotherapy Evidence Database. Escala PEDro (versão em português). https://pedro.org.au/portuguese/resources/pedro-scale/
  2. Maher CG, et al. Reliability of the PEDro scale for rating quality of randomized controlled trials. Phys Ther. 2003. https://doi.org/10.1093/ptj/83.8.713
  3. Cashin AG, McAuley JH. Clinimetrics: Physiotherapy Evidence Database (PEDro) Scale. J Physiother. 2020. https://doi.org/10.1016/j.jphys.2019.08.005
  4. Sterne JAC, et al. RoB 2: a revised tool for assessing risk of bias in randomised trials. BMJ. 2019. https://doi.org/10.1136/bmj.l4898