Para que serve
AMSTAR é a sigla de A MeaSurement Tool to Assess systematic Reviews. A versão 2, publicada em 2017 no BMJ, avalia revisões sistemáticas de intervenções em saúde, incluindo as que combinam ensaios randomizados e estudos não randomizados. Ela responde a uma pergunta só: quanta confiança se pode ter nos resultados desta revisão?
Isso é diferente de perguntar se os estudos incluídos são bons (isso é o risco de viés deles, que a revisão deveria ter avaliado) e diferente de perguntar quanta certeza há no efeito (isso é o GRADE). A AMSTAR 2 olha para o processo da revisão: se ela foi planejada, buscou, selecionou, avaliou e sintetizou de um jeito que protege contra erro.
Os 16 itens
Cada item recebe "sim", "sim parcial" (quando cabe) ou "não". Sete deles são críticos: uma falha em qualquer um deles compromete a revisão inteira. Estão marcados abaixo.
| Item | O que pergunta | Crítico |
|---|---|---|
| 1 | A pergunta e os critérios de inclusão seguiram o PICO? | |
| 2 | Os métodos foram definidos antes da condução, num protocolo registrado, e desvios foram justificados? | Sim |
| 3 | A escolha dos desenhos de estudo incluídos foi justificada? | |
| 4 | A busca foi abrangente? (ao menos duas bases, estratégia completa, referências dos incluídos, literatura cinzenta, sem restrição indevida de idioma) | Sim |
| 5 | A seleção dos estudos foi feita em duplicata? | |
| 6 | A extração dos dados foi feita em duplicata? | |
| 7 | Os estudos excluídos foram listados, com a justificativa? | Sim |
| 8 | Os estudos incluídos foram descritos em detalhe adequado? | |
| 9 | O risco de viés de cada estudo incluído foi avaliado com instrumento adequado? | Sim |
| 10 | As fontes de financiamento dos estudos incluídos foram relatadas? | |
| 11 | Se houve meta-análise, o método estatístico foi apropriado? | Sim |
| 12 | Se houve meta-análise, o impacto do risco de viés dos estudos nos resultados combinados foi avaliado? | |
| 13 | O risco de viés dos estudos foi levado em conta ao interpretar e discutir os resultados? | Sim |
| 14 | A heterogeneidade foi explicada e discutida de forma satisfatória? | |
| 15 | Se houve síntese quantitativa, o viés de publicação foi investigado e seu impacto discutido? | Sim |
| 16 | Os autores relataram conflitos de interesse, incluindo o financiamento da revisão? |
Por que os sete críticos são críticos
- Protocolo prévio (2): sem ele, os autores podem ter ajustado a pergunta e os critérios depois de ver o que encontraram.
- Busca abrangente (4): uma revisão que buscou só no PubMed não é "sistemática" no sentido de ter reunido a evidência que existe.
- Lista de excluídos (7): sem ela, não dá para saber se estudos incômodos ficaram de fora.
- Risco de viés dos incluídos (9): sem avaliar, a revisão trata um ensaio ruim e um bom como iguais.
- Método de meta-análise (11): somar estudos que não deveriam ser somados produz um número preciso e errado.
- Interpretação à luz do viés (13): avaliar o risco de viés e depois ignorá-lo na conclusão é o defeito mais comum em revisões publicadas.
- Viés de publicação (15): sem investigar, a revisão herda o otimismo da literatura publicada.
O julgamento final: não some os pontos
A AMSTAR 2 não produz uma nota. Somar os "sim" apagaria a diferença entre falhar num item crítico e falhar num item comum. O julgamento global segue quatro níveis:
| Confiança | Condição |
|---|---|
| Alta | Nenhuma falha crítica e no máximo uma falha não crítica |
| Moderada | Nenhuma falha crítica e mais de uma falha não crítica |
| Baixa | Uma falha crítica, com ou sem falhas não críticas |
| Criticamente baixa | Mais de uma falha crítica |
Na prática, revisões publicadas caem com frequência em "baixa" ou "criticamente baixa", sobretudo por falta de protocolo registrado (2) e de lista de excluídos (7). Isso não quer dizer que os estudos dentro delas sejam ruins; quer dizer que a revisão, como método de reuni-los, não protege o leitor. É comum a AMSTAR 2 rebaixar uma revisão que a pirâmide colocaria no topo.
Como aplicar em 10 minutos
- Vá direto aos sete itens críticos. Procure o registro (PROSPERO ou similar), as bases e a estratégia de busca, a lista de excluídos (geralmente em material suplementar), a tabela de risco de viés, o método de meta-análise, a discussão e o funnel plot ou teste de viés de publicação.
- Se dois críticos falharam, o julgamento já é "criticamente baixa"; não precisa continuar para classificar, mas vale continuar para entender.
- Passe pelos outros nove.
- Registre o julgamento e quais itens falharam. "Baixa por falta de protocolo" é uma informação; "baixa" sozinha não é.
O que a AMSTAR 2 não faz
- Não avalia revisões de escopo, narrativas nem revisões de estudos de diagnóstico ou prognóstico. Veja os tipos de revisão.
- Não diz se o efeito é grande, preciso ou aplicável ao seu paciente. Isso é o GRADE.
- Não substitui a leitura do resultado. Uma revisão de confiança alta pode concluir que a intervenção não funciona.
Como o SciCritic aplica a AMSTAR 2
Ao identificar uma revisão sistemática no PDF, o CRITIQUE percorre os 16 itens, marca cada um com o trecho do artigo que sustenta a resposta (o número do registro no PROSPERO, a lista de bases, a tabela de risco de viés), destaca os críticos e apresenta o julgamento nos quatro níveis da ferramenta. A nota de 0 a 10 que aparece junto é uma leitura adicional, decomposta por domínio para você ver de onde vem; o julgamento item a item fica visível ao lado dela.
Aplique a AMSTAR 2 a uma revisão sistemática agora
Envie o PDF. O SciCritic percorre os 16 itens, destaca os 7 críticos, cita o trecho que sustenta cada resposta e mostra o julgamento de confiança.
Testar 7 dias grátis Hoje você paga R$ 0.Perguntas frequentes
A AMSTAR 2 dá uma nota?
Não. Ela produz um julgamento em quatro níveis (alta, moderada, baixa, criticamente baixa) baseado em quantos itens críticos e não críticos falharam. Somar os pontos é um uso errado da ferramenta, porque iguala falhas de peso muito diferente.
Uma revisão "criticamente baixa" pela AMSTAR 2 é inútil?
Não é inútil, mas não deve ser usada como síntese confiável da evidência. Os estudos que ela incluiu podem ser bons; o que falhou foi o processo de reuni-los. Nesse caso, vale ir aos estudos primários ou procurar outra revisão com melhor método.
Qual a diferença entre AMSTAR 2 e PRISMA?
PRISMA é uma lista do que uma revisão deve relatar; serve para quem escreve. AMSTAR 2 é uma ferramenta de avaliação crítica; serve para quem lê. Uma revisão pode seguir o PRISMA à risca e ainda assim ter falhas críticas pela AMSTAR 2, como busca em uma base só.
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- Nível de evidência: o que é e como usar sem cair na pirâmideO que é nível de evidência, a pirâmide e os níveis de Oxford, por que um ensaio ruim pode valer menos que uma coorte boa, e o que o GRADE mudou.
Fontes
- Shea BJ, et al. AMSTAR 2: a critical appraisal tool for systematic reviews that include randomised or non-randomised studies of healthcare interventions, or both. BMJ. 2017. https://doi.org/10.1136/bmj.j4008
- AMSTAR, site oficial, com o checklist. https://amstar.ca/
- Page MJ, et al. The PRISMA 2020 statement. BMJ. 2021. https://doi.org/10.1136/bmj.n71
